viver é voar bem alto

os nossos pais têm a capacidade de nos fazerem sempre parecer muito pequeninos, de nos darem aquela super proteção que nos faz pensar que por mais caminhos que cruzemos aquele colo em segundo algum nos irá faltar. mas há agora aquele momento que começa a fazer sentido, quando nos olham atentamente nos olhos e dizem : o tempo passa tão rápido, ainda há bem pouco tempo eras tão pequenina e agora estás quase uma mulher independente.
admito que ainda me falta muito para ser independente, nunca o mimo me faltou, nunca a vida me expôs a situações mais pesadas em que de algum modo sentisse que estivessem totalmente ausentes, e a verdade é que só conto quase 20.
já é um número bem redondo e por mais que não largue as saias da mãe, as calças do pai e do irmão eu sei que algum dia chegará o meu dia de voar sozinha.
para esse dia eu já estou a criar uma bagagem cheia de autocolantes, de lembranças penduradas, de fotografias, de arranhões, de tombos, de recolagens, de postais e de cartas .
do pouco que terei para contar vai comigo, vai levar-me ao final do arco-iris, vai cruzar comigo o horizonte e vai somar sempre mais a cada passo que dê.
a vida é feita das partilhas, das perdas e dos ganhos, dos sins e dos nãos.
dancemos quando a chuva cair, choremos e rimos quando quando não der mais para aguentar a alegria ou a tristeza, mudemos de caminho se o que tomamos parecer errado.
nunca é tarde para voltar atrás, nunca é tarde se quisermos repetir a volta no carrossel, a vida é o que quisermos que ela seja.
olho os 20 como o incio daquilo que eu quiser, como a continuação da história que escrevo, daquela que guarda já um bocadinho de tudo mas em que a todo o tempo posso iniciar o paragrafo se assim me apetecer.
sou já um bocadinho dona de mim, sou já a que define o trajeto, e ainda que me perca eu sei que encontrarei o Norte, a minha estrela polar são umas quantas almas juntas que caminham comigo ainda que o abismo esteja à mercê.
quero voar sem fim, quero rir de um arranhão que possa ter feito, isso é uma arte, tirar o bom de tudo que nos toca no coração.
vão chegar os 20, os 30 e muitos mais, até lá os dias passarão e vamos sempre aprender em cada dia a viver um bocadinho melhor, ao longo desses dias que nunca fique nada por ver, por ouvir, por sentir, por guardar, uma vez que a história das nossas vidas não será mais que uma bagagem repleta de lembranças e saudades do que um dia foi, pois voamos bem mais cedo que aquilo que julgamos e nem lhe sentimos o sabor, saberemos que voamos quando virmos a bagagem cheia de nós e daquilo que sempre nos completou.

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