se encha o Porto de preto connosco


tenho o coração como uma chávena de chá, quente e cheio. e tanta coisa é cheia na vida que nem as sabemos contar às pessoas. sinto-me incapaz de conseguir explicar às pessoas o que este ano foi para mim, o quanto me ofereceu sem quase me ter dado nada.
sinto uma enorme responsabilidade ao escrever sobre este assunto que é tão arrebatador para mim, é tão complexo que faltam-me expressões para sentir que está ao nível das pessoas que pretendo que leiam.
foi tão pouco tempo, foram tantas coisas, foram tantos risos e revoltas. almas lindas, sorrisos ternurentos, olhos brilhantes,vozes calorosas e tudo se fez apenas com uma bata, um cartão e uma temível varanda de tijoleira que teimava em ser fria e dura todos os dias.
desde os olhos carregados de sono, às dores de costas e de pés, desde a testa a esfolar e os joelhos em ferida eu arrisco-me a dizer que estes meses me deram a melhor experiência da minha vida.
venci-me tanto, derrubei muros do tamanho do mundo, percorri caminhos de trevas, solucei de chorar mas consegui sair vitoriosa devido àqueles que aprenderam a gostar de mim, que se comprometeram a agarrar-me a mão e desde então não a largaram, esses que viveram comigo coisas que mais ninguém entende, é até estupido eu pedir às pessoas que não encham os jornais de coisas sem sentido quando para nós tudo aquilo é muito mais do que uma integração, quando aquilo significa a nossa vida dali para a frente, quando olhamos para o lado e vemos uma pessoa que nos olha e apenas com esse olhar solta um sorriso que nos faz sentir que somos capazes de vencer uma guerra se assim for preciso.
sorrio nostalgicamente ao pensar o que passei nestes meses, o que superei e o que vivi. fico apavorada em pensar no que falta, em que sei que o nosso coração vai tremer, em que o nosso corpo vai ceder mas que nunca a nossa alma se vai sentir sozinha, em que sabemos que basta olhar para o lado e vamos sentir o mundo seguro, aquelas caras que eram o desconhecido à uns meses são agora o nosso pilar, são a nossa força para que sempre sejamos capazes de nos erguer quando o mundo ruir.
sei que é estranho segurarmo-nos a algo que ainda é tão desconhecido para nós, tão recente, mas talvez a força das circunstâncias nos tenha unido de tal modo que sem sabermos quem são, apenas seja preciso saber que estão lá, que apesar da quantidade transparecer um grande número sabemos que somos um e um só, que nada do que passamos foi em vão e que quando o momento certo chegar, quando o fim chegar vamos saber bem dentro de nós que tudo isto valeu mais do que a pena, que não são apenas peças de roupa, é toda uma vivência fantástica e uma missão cumprida, que o universo conspire a nosso favor, que todas as luzes se acendam e saberemos o que significa lutar por algo.


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